Monday, 17 February 2014

Ginásio da Mente

Este foi um bom fim de semana!
O sol voltou, irradiando consigo um cúmulo de delícias! A gargalhada espanta neura, a liberdade para sair à rua, o seu carinho quente de inverno no rosto e assaz inspiração. É verdade… nestes dois dias que separam duas semanas bastante atarefadas, reescrevi bastante no meu próximo livro. Não foram grandes alterações! Mais um retoque aqui e ali, mais uma frase que escapara da outra vez ou um parágrafo fora de sítio que me incomodava. E, no meio de todas estas negociações com o meu manuscrito, surgiu uma ideia para um novo livro! Mais do que isso… surgiu o esboço da história praticamente toda! Corri logo para o meu bloco de notas e libertei-me daquela sequência de palavras e novos acontecimentos. A ânsia de não esquecer! As personagens não têm nome e os locais estão desfocados. Contudo, elas um dia terão nome, rosto e vontades e esses locais cores e aromas. Mais uma ideia guardada com carinho, à minha espera para ganhar a sua essência!


Quantas destas ideias me visitam enquanto escrevo! Porque escrever é como uma droga… quanto mais se escreve mais se quer escrever e quanto mais se cria mais as ideias nos assaltam. Não. Uma droga, não, se não tem efeitos nocivos. Escrever é um ginásio, para a mente. Isso, sim! Exercita, tonifica a nossa imaginação, provoca sede, e que sede de palavras! E liberta endorfinas, deixando-nos bem sensíveis ao mundo exterior. Esse mundo exterior que é o mesmo de sempre… nós é que mudamos!
Sempre gostei de observar, aspirando tudo. Pequenos gestos, olhares, modos de falar ou gritar, de sentir, sofrer, até um dar as mãos. Mas agora que frequento muito esse ginásio que é a escrita (sim, porque o outro… não é para mim!), um dar as mão não é um simples enlaçar de mãos! É pele com pele, macia, áspera, quente ou fria, é o enlaçar dos dedos uns nos outros tocando os nós ou as veias que pulsam, duas linhas da vida que se unem, com passado, presente e futuro. É todo o mar de sensações que nos provoca o gesto. Porque escrever redesenhou-me os horizontes, como se tudo o que me rodeia deixasse de ter apenas três dimensões, passando a ter seis. O olfato, a audição, a visão, o tato, o paladar e a intuição, o tal sexto sentido. Por esta ordem ou outra qualquer!

Já experimentaram?

Friday, 14 February 2014

Não... não é (só) sobre o dia dos namorados!

Muitas são as versões da história pela qual se diz celebrar este dia. A minha preferida é passada na Roma antiga. A história do bispo que foi preso e condenado à morte por desafiar o imperador realizando casamentos em segredo. O imperador considerava os solteiros melhores combatentes e o casamento passou, então, a ser proibido. O nome desse bispo era Valentim. Preso, à espera da execução, recebia flores e bilhetes de todos aqueles que ainda acreditavam no amor.E deu-se um milagre. A filha do carcereiro por quem se apaixonou recuperou a visão. Dia 14 de Fevereiro ele foi decapitado, mas não sem antes deixar um bilhete de adeus à sua amada, assinando “De seu Valentim”.   Trágica e romântica, é uma história que ainda hoje vive, celebrada em muitos países. Mas tal como os apaixonados da Roma antiga, acho que ainda hoje esta data deveria ser comemorada com bilhetinhos artesanais, escritos à mão (como nos tempos de escola) e com flores surripiadas do jardim (quem já não o fez?). Gestos simples carregando sentimentos que podem e devem ser trocados… não só neste dia! O segredo está na simplicidade. Porque o amor deveria ser simples, despretensioso e gratuito. Mas isto é apenas um desabafo meu!
Cá estamos, então,  no dia de S. Valentim! O dia dos namorados!
Será mesmo? Não será mais o dia dos donos de restaurante, das floristas, das fábricas de chocolate, dos centros comerciais, SPAs e por aí a fora? Ok… é um dois em um… namora-se a ajuda-se a economia do país! Será mesmo este o dia dos apaixonados? Para muitos… talvez! Para outros… nem por isso! Já para não falar no facto de, histórias à parte, este dia ser um gigante reclame luminoso ao olhos daqueles que não têm um par. Porque ainda não o encontraram, porque não foram correspondidos, porque não querem um ou, pior, porque o perderam, para alguém ou para sempre.
Ser solteiro pode ser uma opção, um modo de vida, uma situação, um estado civil. Mas é-o como qualquer outro, não implicando tacitamente felicidade, infelicidade ou um estado assim assim. Tal como ser casado ou divorciado também não! Ora, segregando os estados civis (voluntários) hoje em dia disponíveis, teríamos… o solteiro com muito gosto, o bem casado, o divorciado e feliz ou o solteiro mas não me lembrem disso, o casado tirem-me daqui e o divorciado porquê a mim! Existem muitas situações possíveis… tantas que dariam um outro post, ou até um livro… muitos livros, aliás!

Pessoalmente, não festejo o dia dos namorados. Respeito todos aqueles para quem este dia é, por diversos motivos, especial, mas não é um dia para mim! Não por uma questão de romantismo ou estado civil. Nada disso! Apenas porque, para mim, o conceito de romantismo caminha junto com a tranquilidade, a união, a virtude de se ser original, a intimidade. E neste dia há casais por todo o lado! Já para não falar nos jantares de mulheres que celebram a amizade também neste dia e nas saídas de todos os outros, porque afinal… é sexta-feira! Para onde foi então o jantar num canto recatado do restaurante? Ao nosso lado acotovelam-se outros demais ouvindo perfeitamente e sem esforço as conversas. Para onde foram os passeios  naquele parque mesmo romântico? Todos parecem ter tido a mesma ideia! Para onde foi aquela sensação de sermos os únicos serem à face da terra, tão apaixonados que o resto deixou de existir? Não teria ido a lado nenhum, não fossem as centenas de casais também únicos e apaixonados que nos perseguem. 
Não quero com isto ser muito negativa quando a esta celebração (não conseguindo evitar sê-lo um pouco, é verdade), mas se é para ser assim… prefiro outros dias. Mais singulares serão outras celebrações para os apaixonados… como o dia em que se viram pela primeira vez, ou fizeram uma figura verdadeiramente estúpida numa demonstração de amor, a data do primeiro beijo que trocaram ou aquele momento em que decidiram partilhar a vida juntos! Tantos momentos para celebrar… só vossos, de mais ninguém! Mas para todos aqueles em que um ou mais destes acontecimento ocorreu neste dia… esqueçam tudo que escrevi e… Feliz dia de S. Valentim! J

Saturday, 8 February 2014

Poder dos Sonhos

Hoje escolhi falar-vos sobre os sonhos! Não aqueles por que lutamos, aquela nuvem mágica que nos persegue, a que queremos que se desfaça em chuva e nos molhe da cabeça aos pés. Não são esses sonhos… desta vez! Falo dos que nos visitam à noite, enquanto dormimos. Não sei se vocês são daquelas pessoas que mal pousam a cabeça na almofada desligam para tudo, mesmo para o mundo do subconsciente e do imaginário. Eu não! A minha imaginação continua a trabalhar durante o sono, com mais força, atrevo-me a dizer, do que durante o dia. Enquanto que acordada sinto que tenho algum (não total) controlo sobre aquilo que crio ou imagino, enquanto durmo, a minha mente entra num estado de liberdade completa, rebelde, indomável. Por vezes, nem acordar a meio da noite a refreia. Mal volto a pegar no sono, regressa esse mundo paralelo exactamente no ponto onde tinha sido interrompida a história. História…. Bem, não sei se posso chamar-lhe bem de história, porque isso implicaria que tivesse algum nexo, no mínimo, um principio, um meio e um fim. E os meus sonhos não têm nada disso. Começam pelo fim ou só têm meio e em alguns deles eu sou até um amendoim! Como podem ver o assunto é grave! Estou certa de que muitas vezes já sonharam assim também. Daqueles sonhos tão estapafúrdios que não se devem nem escrever no bloco de notas da mesinha de cabeceira, muito menos contar em voz alta a outro alguém. Contudo, cá estou eu a partilhar isto com vocês. Não é segredo, não é vergonha, não é raridade nenhuma! Apenas uma curiosidade.

Às vezes acordo com o sonho dessa noite bem fresco na memória e penso “Devia vender os direitos para Hollywood”. Davam filmes de todos os géneros cinematográficos que possam imaginar!  Mas passados alguns segundos o sonho já se esfumou e quanto mais o tento agarrar mais depressa ele desaparece. Outras vezes… eles ficam, quer eu goste ou não. E são esses os que ficam na memória os que formam a minha biblioteca imaginária de imagens estranhas, sentimentos inéditos e acções irreais. O banco de sonhos que nos faz rir, chorar, ponderar, aproveitar, recear, revoltar ou até mudar.

E este assunto leva-me a falar de um filme que vi, um filme daqueles como eu gosto, daqueles que nos põem a pensar mesmo depois de termos deixado a sala de cinema ou o sofá, daqueles que precisamos ver mais do que duas ou três vezes. Verdadeiros enigmas de ecrã! O filme é “Inception” (A origem, título português). Não vou aqui entrar em detalhes da história, até porque pode haver alguns de vós que ainda não o tenham visto, mas este aborda um conceito diferente. Não que nós já não tivéssemos pensado nele! O sonho, no sonho do sonho… e por aí fora! É como a menina que tem na mão a bola de cristal que tem lá dentro neve e outra menina que segura outra bola de cristal que tem outra menina e neve e outra bola de cristal lá dentro… sem sabermos onde isto pára. E se pára! Este filme deixa-nos a pensar nisto, não deixa? (pergunto para quem viu o filme, claro!) Deixa-nos a questionar o limiar entre o real e o sonho. No fundo o próprio filme acaba por nos fazer vítimas daquilo por que se intitula (na versão original). Implanta em nós uma ideia, uma dúvida. E, no fundo,  não é o que alguns sonhos fazem também?

Friday, 7 February 2014

O sonho é escrever e escrever, o desejo é estar mais perto

Pois é… Cá estou eu a estrear este meu novo cantinho. Diferente, acolhedor, onde posso vir falar com vocês sempre que me apetecer!
Confesso que me faz um pouco de confusão a comunicação hoje em dia! Ora temos o Facebook, o Twitter, o linkedin, o site, o blogue, muitos outros “.com”… tanta formas distintas de passarmos o dia a comunicar uns com os outros! Não vou dizer que em outros tempos não era assim! Se bem se lembram, bem antes dos telemóveis, já tínhamos o telefone, a ansiada carta, o telegrama, os bilhetinhos voadores, as portas das casas de banho e até o copo e o fio! As coisas simplesmente evoluíram e… lá está: são formas diferentes umas das outras e cada uma traz algo que só ela pode trazer. Aos poucos e poucos vamos cedendo e cedendo entregando-nos às potencialidades do mundo moderno. E lá cedi eu! Podem encontrar-me em quase (quase…) todos esses sítios.
O sonho é escrever e escrever, o desejo é estar mais perto do leitor, o resultado é escrever-vos de e em todo o lado! J
É com prazer que aqui vos escreverei sobre o meu trabalho enquanto escritora, sobre os meus livros, dilemas e desafios, sobre actualidades, sobre mim e o dia-a-dia.
Não deixem de me visitar!
Obrigada pelo apoio…

Sílvia Soares